Entrevista a Vasco Teixeira, membro da comissão escolar da Associação de Editores e Livreiros

A criação de um sistema de empréstimo dos manuais escolares no ensino obrigatório está prevista na lei há 10 anos, mas só agora vai dar os primeiros passos, com a distribuição gratuita dos livros a todos os alunos do 1º ano, em setembro. No final do ano letivo serão recolhidos para serem emprestados de novo. A ideia é, até ao final da legislatura, estender este sistema de reutilização a toda a escolaridade obrigatória. Os editores estão contra, dizem que o modelo é “injusto” porque vai prejudicar os mais carenciados — quem pode vai continuar a comprar os manuais, quem não pode vai ter de os devolver — e destruir o sector livreiro. “Vai ser a machadada final nas pequenas livrarias”, avisa Vasco Teixeira, membro da comissão escolar da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) e diretor editorial da Porto Editora, explicando ainda porque entende que os manuais em Portugal não são caros.

Nos últimos quatro anos, os manuais escolares subiram 2,6% ao ano. Esse valor foi fixado para proteger os consumidores em tempos de crise, mas as editoras é que acabaram por sair beneficiadas, já que a inflação, que em condições normais seria a referência usada, caiu para valores à volta dos 0% a partir de 2013. Concorda?
Quando a convenção dos preços foi assinada a inflação estava nos 3,2%. O Governo impôs o limite de 2,6% de aumento e aceitámos. Tanto o Executivo como